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Região do Brooklin tem um sequestro relâmpago por dia


Por marciobasso 09/02/2012 - 04h56

CAMILLA HADDAD
Uma onda de sequestros relâmpagos tem aterrorizado os bairros do Brooklin, Itaim-Bibi e Vila Olímpia, na zona sul. Nos meses de dezembro de 2011 e janeiro deste ano, foram registradas 66 ocorrências dessa modalidade de crime – mais de um caso por dia. Esse número representa um aumento de 288% se comparado com os 17 casos contabilizados em igual período, um ano antes. Na segunda-feira, a Polícia Militar vai reforçar o patrulhamento na região com motos.
As ruas com mais ocorrências são Pensilvânia, Guararapes, Gomes de Carvalho, Quintana e Alessandro Volta. A maioria dos casos, 67,8%, ocorreu entre 7h e 20h.
Em 12 de janeiro, uma estudante de 25 anos foi cercada na Rua Arandu, às 16h30, quando andava na calçada. Dois suspeitos armados ordenaram que ela fosse até uma rua próxima, onde o obrigaram a entrar em um Fiat Siena. Dentro do carro, a vítima teve de entregar seu cartão de débito e senha. Um motoqueiro apareceu e levou o cartão. Foram três horas de pavor nas mãos de criminosos. A vítima foi liberada no bairro do Panamby, na zona sul.
Episódios como o enfrentado pela estudante não são a forma mais comum de atuação dos assaltantes. O delegado João Batista de Araújo, responsável pela Divisão Antissequestro (DAS), conta que, em 99% dos casos, a vítima é arrebatada pelos criminosos quando está entrando ou saindo do carro.
O autônomo H.A.S, de 41 anos, nem teve tempo de desligar o carro quando foi sequestrado para fazer saques em caixas eletrônicos, na Rua Arizona. “Eu rodei mais de um quilômetros com eles, que me bateram com cabo de revólver”, afirmou a vítima, abordada no mês passado no Brooklin.
“Quando cheguei na delegacia, me disseram que mais 50 pessoas tinham sido sequestradas como eu”, contou o autônomo.
O delegado Eduardo Camargo Lima, titular do 96º Distrito Policial (Monções), responsável pela área das ocorrências, afirma que, no último dia 24, três pessoas foram presas no Brooklin, acusadas de sequestro relâmpago, mas existem outras quadrilhas em ação.
O trio foi pego pela PM quando observava possíveis vítimas na Rua Pensilvânia. Os criminosos estavam com um revólver calibre 32. “Com essa prisão, percebeu-se uma diminuição sensível, mas a gente tem conhecimento de que, infelizmente, existem mais criminosos agindo dessa forma (na região) e é preciso tentar prender essa outra quadrilha”, conta o delegado. Para Camargo Lima, a concentração de empresas e lojas para público de alto poder aquisitivo alto atraem criminosos.
Camargo Lima ressalta que os sequestros relâmpagos estão espalhados. “Eu pego uma parte do Itaim-Bibi, Campo Belo e Moema, principalmente as ruas com nome de pássaros.”
O delegado Araújo, da DAS, lembra que, dentro de 15 dias, uma delegacia para investigar sequestros relâmpagos já irá funcionar no centro da cidade para investigar os casos com mais rigor. “Mas nós já estamos com informações como fotos de suspeitos e mapeamento dessas ocorrências no Brooklin, Santo Amaro, Pinheiros e Lapa”, disse. “Até mandado de busca de uma quadrilha nós pedimos e estamos esperando.”
A secretaria executiva Mônica Alves, de 47 anos, trabalha na região dos sequestros e disse que um colega de trabalho também foi vítima no ano passado. “Conseguiram sacar R$ 800 da conta dele, mas não teve agressão.”
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