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Prevenção, aliada contra o câncer


Por marciobasso 07/10/2010 - 02h01

Boa parte das pessoas ainda se assusta quando ouve falar em câncer. Assim que a doença é descoberta a palavra soa como um problema sem solução. Além de desmistificar o diagnóstico e enfatizar a possibilidade de cura, é preciso que a população seja informada que é possível evitar ou detectar muito precocemente alguns dos tumores mais importantes.
A prevenção primária é fácil de entender e envolve a eliminação de fatores de risco para cânceres futuros. Por exemplo, evitar o tabagismo e a vacinação contra o HPV são medidas que reduzem a incidência de câncer. No entanto, existem outras maneiras de aumentar as chances de cura.  A prevenção secundária, através da detecção precoce, é um pouco mais complicada, mas nem por isso menos importante, sendo muitas vezes eficaz e fundamental na luta contra o câncer.
Sempre ouvimos dizer que quem procura um médico, fatalmente acaba encontrando algum problema. Porém um tumor detectado precocemente apresenta uma chance de cura muito mais elevada do que um tumor detectado em estágios mais avançados. Por isso nós, médicos, sempre insistimos na idéia de que prevenir continua sendo o melhor remédio.
A detecção precoce altera, e muito, a evolução e o tratamento do câncer. Não é aconselhável esperarmos nosso corpo dar sinais de que algo não vai bem. Quando os alertas são dados, nem sempre vêm acompanhados de boas notícias.
No caso do câncer colorretal, por exemplo, um teste de sangue oculto nas fezes, que é um exame simples, pode reduzir em aproximadamente 35% as chances de óbito por esse tipo de tumor, quando feito anualmente, após os 50 anos. Uma alternativa um pouco mais detalhada é o exame de colonoscopia, que permite visualizar as paredes do cólon e, se necessário, retirar uma pequena quantidade de tecido para biópsia. O exame pode ser desconfortável, porém é recomendável que seja feito a cada cinco ou dez anos, dependendo do histórico de cada paciente. Um “esforço” que salva vidas, com certeza.
É fundamental destacarmos a importância da prevenção, não só para esse tipo de tumor específico, mas para muitos outros também comuns em nosso meio, como o câncer de mama e de colo de útero. A situação merece ainda mais atenção se vier acompanhada de fatores de hereditariedade, com casos de câncer na família. Nessas situações, a prevenção pode ser ainda mais efetiva e deve ser iniciada mais precocemente.
A medicina atual já cura grande parte dos tumores, porém é muito importante que as pessoas ajudem nessa luta. Ao chegar aos 40 anos todos deveriam procurar um médico para determinar que exames são necessários para prevenção e quando fazê-los. Esperar nosso corpo dar o alerta de que algo não funciona da maneira correta nem sempre é a melhor escolha e o melhor caminho para o sucesso na luta contra a doença. Prevenção ainda é a palavra de ordem nesse caso. Cuide-se!
 Paulo M. Hoff é médico oncologista e diretor Clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo