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EUA, ONU e China pedem cautela com relação à Coreia do Norte


Por marciobasso 23/11/2010 - 02h20

Horas após confronto na península Coreana deixar dois militares sul-coreanos mortos e outros 18 feridos, Estados Unidos, China e ONU foram a público pedir moderação aos dois países vizinhos e descartaram qualquer ação militar contra a provocativa Coreia do Norte.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira moderação às duas Coreias, depois de condenar o ataque da artilharia norte-coreana contra uma ilha sul-coreana.
Já o enviado especial dos EUA à península Coreana, Stephen Bosworth, destacou nesta terça-feira, depois de se reunir com representantes do governo chinês em Pequim, que os dois países consideram que uma guerra entre as duas Coreias seria “muito indesejável”.
Bosworth, quem reiterou a condenação dos Estados Unidos ao ataque de artilharia “iniciado pela Coreia do Norte”, ressaltou que, em suas reuniões com os responsáveis chineses, ambas as partes concordaram também que as duas Coreias devem “agir com moderação”.
O negociador não quis qualificar de crise o incidente, mas reconheceu que “os fatos falam por si sós”.
Nos EUA, o porta-voz do Pentágono, coronel David Lapan, reforçou argumento de que seria prematuro nesse momento considerar uma ação militar contra a Coreia do Norte.
Mais cedo, a Casa Branca declarou que “condena energicamente” o ataque. “Hoje mais cedo a Coreia do Norte realizou um ataque de artilharia contra a ilha sul-coreana de Yenpyeong. Estamos em contato direto e contínuo com nossos aliados sul-coreanos”, afirma o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em um comunicado.
“Os Estados Unidos condenam energicamente este ataque e apelam à Coreia do Norte que suspenda sua ação beligerante e cumpra integralmente os termos do Acordo de Armistício”, acrescenta o texto.
O presidente americano, Barack Obama, deve receber ainda nesta terça-feira de seus conselheiros de inteligência um novo relatório sobre a crise provocada pelos disparos de artilharia.
Obama foi acordado às 03h55 local por seu conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon, que o informou sobre o incidente. Depois de receber o relatório, viajará para o Estado de Indiana (norte), como estava previsto em sua agenda, na companhia do vice-presidente Joe Biden para visitar uma fábrica da Chrysler.
Ele disse que não deve mudar sua agenda, apesar dos fatos e, por isso, voltará aos EUA após ter visitado Coreia do Sul, Japão e China. Essas reuniões inicialmente buscavam, mais uma vez, a reativação das conversas de seis lados para a desnuclearização na península Coreana, iniciadas com a China em 2003, mas paralisadas desde finais de 2007.
As negociações de seis lados são realizadas entre as duas Coreias, EUA, Japão, Rússia e China.
CONSELHO
O britânico Mark Lyall Grant, presidente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), negou nesta terça-feira relatos de que haveria uma reunião do órgão para discutir ataque.
“Não foi solicitada nenhuma reunião”, limitou-se a responder Grant, representante britânico na ONU. Uma fonte francesa havia indicado mais cedo que uma reunião do Conselho de Segurança estava sendo organizada.
ATAQUE
A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira quase 50 peças de artilharia contra uma ilha sul-coreana, matando dois soldados e deixando outras 18 pessoas feridas. O ataque provocou uma reação imediata da Coreia do Sul, que enviou caças de guerra F-15 e F-16 à região. Agências estatais de Seul indicam que o Norte deu início aos combates. Pyongyang nega e sustenta que tropas sul-coreanas foram as primeiras a abrir fogo.
Segundo o canal YTN, quase 50 obuses caíram na ilha de Yeonpyeong, que tem mil habitantes, localizada no mar Amarelo, em uma área disputada pelas duas Coreias e que já registrou incidentes no passado.
Dois soldados sul-coreanos morreram no ataque. Ao anunciar o balanço, o general Lee Hong-Ki informou ainda que cinco militares estão gravemente feridos e outros dez sofreram ferimentos leves. Além disso, três civis foram feridos.
Os disparos foram executados dois dias depois que um cientista americano revelou a existência de um novo programa de enriquecimento de urânio na Coreia do Norte, o que aumentou a tensão e a preocupação de Washington e de seus aliados.
“Uma unidade de artilharia executou disparos de provocação às 14h34 (3h34 de Brasília) e as tropas sul-coreanas responderam imediatamente”, afirmou uma fonte do Ministério de Defesa sul-coreano.
“As Forças Armadas estavam executando exercícios navais e o Norte parece ter disparado para demonstrar sua oposição”, declarou uma fonte militar sul-coreana ao canal YTN.

Foto: Yonhap/Reuters


Os disparos tiveram como alvo a ilha de Yeonpyeong, que tem mil habitantes, localizada no mar Amarelo, em uma área disputada pelas duas Coreias e que já registrou incidentes no passado. Dezenas de casas foram incendiadas e Seul determinou que a retirada dos moradores da região.
O aumento de tensão entre os dois países –oficialmente em condição de cessar-fogo desde o fim da guerra em 1953– preocupa a comunidade internacional, sobretudo os Estados Unidos, a Rússia e a China.
O armistício acordado entre o Sul e o Norte determina que as duas nações estão oficialmente em guerra desde o fim da década de 50, mas se comprometem a não realizar ataques. Os incidentes, contudo, ocorreram várias vezes nos últimos anos, sobretudo na região do mar Amarelo. O último incidente mais significativo ocorreu ainda no final de março, quando a corveta de guerra Cheonan foi alvo de um ataque que matou 46 marinheiros sul-coreanos.