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Enem reconhece fragilidade do sistema de dados


Por marciobasso 05/08/2010 - 11h26

Um dia depois que o Estado revelou o vazamento de dados pessoais de 12 milhões de inscritos nas últimas três edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Joaquim Soares Neto, admitiu que o sistema da instituição tem “fragilidades”.
Mesmo sem informações precisas de como dados dos inscritos como RG, CPF e nome da mãe vazaram no site do Inep, Soares Neto afirmou que só acionará a Polícia Federal se a auditoria interna constatar que houve má-fé. Ontem, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, disse que a PF está à disposição do Ministério da Educação para investigar o vazamento.
O instituto tem enfrentado problemas na organização do Enem desde 2009. Após o vazamento da prova – também revelado pelo Estado – houve problemas na divulgação dos gabaritos e na inscrição para as federais. A avaliação é que a estrutura do Inep não acompanhou a dimensão que o Enem tomou. “Nossa estrutura conceitual era fazer avaliações, mas agora temos esses exames cada vez com mais consequências nas politicas públicas. Minha vinda para o Inep é no sentido de tornamos a estrutura operacional compatível. Isso é um processo”, diz.
O presidente do Inep afirmou que trabalha com a tese de que os endereços eletrônicos estavam no conjunto de informações protegidas, disponíveis a apenas 231 instituições de ensino superior. Entretanto, não pôde confirmar que os links – que não precisavam de senha de acesso – foram retirados do diretório protegido. “O trabalho está sendo feito para levantar todas as possibilidades, mas acreditamos que só poderia ser acessado por senha”, afirmou.
Os links davam acesso aos arquivos com todos os inscritos das edições de 2007, 2008 e 2009. O Inep admite a fragilidade de os endereços não terem senha individualmente.
As listas já estavam fora do ar às 17 horas de terça-feira. Na tarde de ontem, o MEC também bloqueou a opção de acesso à nota dos candidatos por meio dos dados vazados, ao suprimir a ferramenta de recuperação de senha. Agora, se um candidato perder a senha, não consegue recuperá-la.
Fonte: O Estado de S.Paulo