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200 mil pessoas já se reunem contra presidente egípcio


Por marciobasso 01/02/2011 - 02h14

Ao menos 200 mil pessoas se aglomeram na praça Tahrir, a principal do Cairo nesta terça-feira, no megaprotesto contra o ditador Hosni Mubarak, que está há quase 30 anos no poder. Ativistas esperam reunir cerca de 1 milhão nas ruas. Apesar do grande número de manifestantes, não há registro de violência até o momento.
Apesar dos violentos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança nos últimos dias, as Forças Armadas do Egito divulgaram um comunicado nesta segunda-feira admitindo o direito dos manifestantes de reivindicarem suas demandas e disseram que não usarão a força para conter os protestos. O saldo de mortos nos confrontos está em 138, segundo a agência Reuters. No entanto, não há confirmação oficial sobre as vítimas da violência dos últimos dias.

Hosni Mubarak assumiu a presidência do Egito em 14 de outubro de 1981


Organizadores disseram que a manifestação se limitaria à praça, e que evitariam entrar em confronto com soldados. Helicópteros militares continuam sobrevoando a cidade e os soldados mobilizados na capital desde sexta-feira controlam os pontos de acesso. Mas as cenas são bem diferentes de sexta-feira passada (28), quando a polícia não poupou cassetetes, gás lacrimogêneo e jatos de água para conter os manifestantes.
O ato começou na madrugada desta terça-feira, quando mais de 5.000 pessoas chegaram à praça para passar a noite, violando o toque de recolher. Há boatos de que os manifestantes marchariam até o Palácio Presidencial, mas com o número de manifestantes cada vez maior, a concentração continua a praça Tahrir.
Estradas que ligam o Cairo a cidades como Alexandria, Suez, Mansoura e Fayoum foram fechadas. No entanto, muitos moradores dessas e de outras regiões conseguiram chegar até a capital. Hamada Massoud, advogado de 32 anos, disse ter viajado ao lado de outras 50 pessoas em carros e microônibus da província deBeni Sweif, ao sul do Cairo. “Hoje o Cairo é todo o Egito. Quero que meu filho tenha uma vida melhor e não sofra como sofri. Quero poder escolher meu presidente”, disse o manifestante.
Dezenas de milhares também saíram às ruas de Alexandria, Suez e Mansoura (norte), assim como em Assiut e Luxor, ao sul do país. Bancos, escolas e muitos comércios permaneceram fechados no Cairo pelo 3º dia consecutivo. Longas filas se formaram em frente a supermercados, e o preço dos alimentos disparou.
A internet continua fora do ar no país pelo 5º dia consecutivo.
AEROPORTO
O Aeroporto Internacional do Cairo está aberto, mas os voos podem sofrer atrasos e cancelamentos devido às manifestações antigoverno.
O clima é de caos, com cerca de 18 mil passageiros tentando deixar o país. Ao menos 35 voos fretados deixaram o país nesta terça-feira, levando milhares de turistas para a Europa e para outros países do Oriente Médio.
O governo dos EUA retirou 1.200 americanos em nove voos ontem, e pretende retirar mais 1.400 nos próximos dias. Os cidadãos estão sendo levados para Larnaca (Chipre); Atenas (Grécia) e Istambul (Turquia). Frankfurt, na Alemanha, também deve ser incluída nos destinos.
A companhia nacional EgyptAir cancelou cerca de 75% dos voos devido à falta de triupulação disponível, após o toque de recolher decretado no país.
Dezenas de milhares de turistas europeus costumam viajar ao Egito neste período do ano. Com isso, governos estrangeiros e operadores de turismo enfrentam dificuldades para retirar o grande número de visitantes que está no país.
Agências de turismo prometeram retirar todos os seus clientes nesta semana, ressaltando que não há distúrbios em regiões como Hurghada e Sharm el Sheik.
EMBAIXADAS
O Departamento de Estado americano ordenou nesta terça-feira a saída dos funcionários não-essenciais do governo americano e de suas famílias do Egito, em meio aos crescentes protestos contra o governo do ditador Hosni Mubarak –que já reúnem 1 milhão nas ruas –e da incerteza sobre a segurança no país.
O órgão adotou a decisão levando em consideração os “eventos mais recentes”, indicou em um comunicado o porta-voz da diplomacia americana, Philip Crowley. A medida reflete a preocupação do governo de Washington com a crise no Egito.
Na semana passada, o governo já havia dispensado os funcionários que quisessem deixar o país árabe por conta própria. O governo do presidente Barack Obama também havia recomendado a todos os cidadãos americanos que evitassem viajar ao Egito.
No comunicado divulgado hoje, o Departamento disse ainda que continuará a retirar cidadãos americanos do Egito em voos fretados do governo dos EUA.
Ontem, o governo dos EUA retirou mais de 1.200 americanos do Cairo, e pretende retirar mais cerca de 1.400 nos próximos dias. Os voos levaram os americanos do Cairo para Larnaca (Chipre), Atenas (Grécia) e Istambul (Turquia). Hoje, o Departamento espera incluir Frankfurt (Alemanha) como outro destino.
De acordo com a nota oficial, o governo também espera realizar voos de outras cidades egípcias, como Aswan e Luxor.
REINO UNIDO
O Reino Unido disse que não ordenou que seus funcionários deixem o Egito, mas confirmou que muitos parentes de diplomatas deixaram o país. O governo britânico advertiu contra viagens para o Cairo, Alexandria, Luxor e Suez.
No entanto, os cerca de 15 mil turistas que estão na região do mar Vermelho em locais seguros foram orientados a continuar normalmente as férias.
A Alemanha disse hoje que expandiria o alerta contra viagens para os resorts no mar Vermelho, mas não ordenaria retiradas. Cerca de 1,2 milhão de alemães visitam o Egito todos os anos.
A agência rússia de notícias RIA Novosti diz que a vasta maioria dos turistas russos no Egito– cerca de 45 mil– não têm planos de encurtar a estadia.
Três aviões militares gregos levaram 220 pessoas de Alexandria para Atenas hoje. O primeiro avião chinês a sair do Cairo deve chegar a Pequim com 265 passageiros. Cerca de 40 sul-africanos também devem voltar para casa hoje.
Fonte: Agências de Notícias